
O HOMEM E A SEMENTE
Em um tempo tão distante que nenhuma medida humana seria capaz de contá-lo, Deus criou uma pequena semente.
Ela era pequena, mas carregava dentro de si um potencial que ainda não podia compreender.
A semente ergueu-se diante de seu Criador e, mesmo sem possuir palavras, reconheceu-O como a origem de sua existência.
Então Deus lhe disse:
— Vá. Viva, aprenda e cresça.
Preparei mundos e experiências para o seu desenvolvimento. Primeiro, conhecerás a vida em suas formas mais simples. Depois, despertarás a consciência e aprenderás a utilizar a razão. E continuarás a crescer até compreender quem és e qual é o propósito de tua existência.
Quando estiveres suficientemente desenvolvido, retornarás à minha casa. Mas não voltarás apenas para receber. Voltarás também para ajudar.
Precisarei de ti para semear, cuidar e colher novas sementes.
E assim a pequena semente partiu.
Embora não pudesse compreender as palavras do Criador, algo ficou gravado profundamente em seu interior: um desejo de retornar à fonte de onde havia vindo.
Era como uma pequena luz escondida no coração, que jamais se apagaria.
A semente atravessou mundos, experiências e diferentes estágios de desenvolvimento. Em cada etapa, aprendeu alguma coisa.
Conheceu a vida.
Conheceu a necessidade.
Conheceu o prazer e a dor.
Aprendeu a sobreviver.
Depois, despertou a consciência.
E, finalmente, recebeu o grande instrumento que lhe permitiria participar conscientemente de sua própria evolução:
A razão.
Mas a razão, sozinha, não era suficiente.
Era preciso aprender a utilizá-la.
Os semeadores
De tempos em tempos, Deus enviava trabalhadores para cuidar de sua grande plantação.
Alguns eram chamados de filósofos.
Outros, de profetas, mestres, santos e sábios.
Havia também pessoas comuns que, tendo iniciado a própria busca pela verdade, perceberam que poderiam ajudar outras sementes a despertar.
Todos desempenhavam uma tarefa semelhante:
Semear.
Plantavam ideias.
Despertavam perguntas.
Ensinavam valores.
Apresentavam caminhos.
Mostravam que a vida poderia ser vivida de outra maneira.
Mas uma semente não cresce apenas porque alguém lhe mostra o caminho.
Ela precisa ser cultivada.
E o adubo necessário para esse crescimento era o desenvolvimento das virtudes.
O crescimento
A pequena semente começou, então, a crescer.
Primeiro surgiu um pequeno broto.
Frágil, ainda dependente das condições ao seu redor, precisava aprender a buscar a luz.
Depois vieram as primeiras folhas.
Quanto mais crescia, mais compreendia que não poderia permanecer para sempre protegida sob a terra.
Precisava sair.
Precisava enfrentar o vento.
Precisava suportar a chuva.
Precisava resistir às dificuldades.
E, acima de tudo, precisava continuar crescendo em direção à luz.
Assim também acontece com o homem.
Ele nasce carregando dentro de si um potencial que ainda não compreende.
Ao longo da existência, encontra experiências que o fazem crescer.
Algumas são agradáveis.
Outras são dolorosas.
Algumas parecem injustas.
Outras parecem não ter explicação.
Mas cada experiência pode oferecer uma oportunidade de aprendizado.
Pouco a pouco, o homem começa a perceber que não basta conhecer o bem; é preciso praticá-lo.
Aprende a reconhecer os próprios erros.
Descobre a humildade.
Desenvolve a coragem para mudar.
Aprende a perseverar quando encontra dificuldades.
Descobre que não está sozinho e desenvolve o altruísmo.
Passa a desejar sinceramente o bem.
E aprende a transformar esse desejo em ação.
Assim, as virtudes deixam de ser apenas ideias e começam a fazer parte de sua maneira de viver.
Quando a semente se torna árvore
Depois de muito tempo, aquilo que um dia foi apenas uma pequena semente tornou-se uma árvore.
Suas raízes estavam profundas.
Seu tronco estava firme.
Seus galhos alcançavam a luz.
E, finalmente, surgiram os frutos.
A árvore compreendeu então algo que a semente ainda não poderia compreender:
Crescer não era apenas tornar-se grande. Era tornar-se capaz de oferecer.
Ela havia recebido água, luz, nutrientes e proteção.
Agora era sua vez de produzir frutos e novas sementes.
E a árvore cumpriu sua tarefa.
O homem também precisa dar frutos
O homem também cresce em direção à luz.
Primeiro busca sobreviver.
Depois busca compreender.
Em seguida começa a perguntar:
“Quem sou?”
“Por que existo?”
“Qual é o propósito da minha vida?”
“Como devo viver?”
Essas perguntas o conduzem ao conhecimento.
O conhecimento o conduz à consciência.
A consciência o coloca diante das próprias escolhas.
E as escolhas, quando orientadas pelo bem, conduzem à prática das virtudes.
Com o tempo, o homem percebe que a felicidade não está apenas naquilo que recebe da vida, mas também naquilo que é capaz de oferecer.
Então começa a ajudar.
Começa a ensinar.
Começa a compreender.
Começa a amar.
E sente vontade de compartilhar com outras pessoas aquilo que descobriu.
Nesse momento, percebe que está começando a cumprir a tarefa que recebeu no início de sua jornada:
Semear novas sementes.
O verdadeiro propósito
Talvez seja esse o sentido mais profundo da existência:
Crescer, desenvolver-se e produzir frutos.
O homem não se realiza apenas quando possui conhecimento, riqueza ou poder.
Ele se realiza quando transforma conhecimento em consciência, consciência em virtude e virtude em ação.
E quanto mais desenvolve as virtudes, mais compreende que sua felicidade está ligada também à felicidade daqueles que caminham ao seu lado.
Então a antiga semente finalmente compreende as palavras do Criador:
“Voltarás para mim, mas não voltarás sozinho. Voltarás para ajudar outras sementes a crescer.”
E o homem entende que sua jornada nunca foi apenas sobre chegar à luz.
Era também sobre tornar-se luz para aqueles que ainda estão procurando o caminho.
Porque o homem se realiza quando utiliza a razão para pensar, escolher e agir de maneira verdadeiramente humana.
E quando aprende a fazer isso, deixa de ser apenas uma semente que busca crescer.
Torna-se uma árvore capaz de produzir frutos.
E seus frutos são:
O conhecimento que ensina,
A virtude que inspira,
O amor que une,
E o bem que permanece.

