
“Durante os trabalhos desta noite, de repente eu vi uma luz intensa atravessando o céu. Entre curiosidade e admiração meu instrutor falou: – Venha, vamos até o espaço porque tenho uma coisa para mostrar. E assim fizemos. Aquela luz atravessava a atmosfera terrestre e seguia no espaço em direção a um local que eu não conseguia visualizar. No mesmo instante, vi um brilho vindo do espaço em uma velocidade impressionante seguindo para a origem da luz. Então seguimos em direção para a fonte da luz. Oh meu Deus! como expressar em palavras a cena que vi… Em uma casa modesta, vi uma mãe de joelhos, ao lado da cama do filho, orando e pedindo o restabelecimento da saúde da criança. E o brilho que vi anteriormente, era a resposta do Criador enviando um “Anjo” para atender esse pedido amoroso”
Oração ou prece: O momento para conversar com Deus
Em um local tranquilo e silencioso, reserve alguns minutos para se recolher interiormente. Inicie com uma oração de sua preferência ou simplesmente feche os olhos e procure aquietar os pensamentos.
Depois, converse com Deus de maneira sincera.
Fale sobre aquilo que está em seu coração: suas preocupações, dificuldades, arrependimentos, medos, dores, saudades, dúvidas e tudo aquilo que esteja tirando a sua paz.
Não é necessário utilizar palavras bonitas ou textos elaborados.
Uma conversa sincera, acompanhada de verdadeira intenção, pode ser mais significativa do que a repetição automática de palavras.
A prece não precisa ser uma fórmula. Ela pode ser um momento de verdade.
Quando falamos com sinceridade, também somos levados a ouvir a nós mesmos. Ao colocar nossas inquietações diante de Deus, podemos perceber sentimentos, pensamentos e atitudes que antes não conseguíamos enxergar com clareza.
Por isso, a oração pode ser muito mais do que um pedido.
Pode ser também agradecimento, reflexão, arrependimento, pedido de orientação, fortalecimento e compromisso com a mudança.
Toda oração é respondida?
A tradição espiritual ensina que nenhuma prece sincera é inútil.
Entretanto, nem sempre a resposta acontece da maneira, no momento ou pelas circunstâncias que imaginamos.
Nossa própria imaturidade pode dificultar a compreensão dessas respostas. Somos frequentemente imediatistas e queremos que a solução aconteça agora e exatamente de acordo com aquilo que imaginamos ser melhor.
Mas nem sempre aquilo que desejamos é aquilo de que realmente precisamos.
Por isso, talvez uma das atitudes mais importantes durante a oração seja aprender a substituir:
“Deus, faça aquilo que eu quero.”
Por:
“Deus, ajude-me a compreender o que preciso aprender e dê-me força para fazer o que for necessário.”
Essa mudança representa um importante exercício de humildade e confiança.
A busca pela verdade e o desenvolvimento das virtudes podem ampliar nossa capacidade de compreender as experiências da vida. Muitas vezes, a resposta não vem na forma que esperávamos. Pode surgir como uma oportunidade, uma inspiração, uma pessoa que aparece em nosso caminho, uma mudança de circunstância ou até mesmo como a força interior necessária para enfrentar aquilo que não podemos modificar.
Dentro da perspectiva espírita, a prece não tem como objetivo modificar os desígnios divinos segundo a vontade individual. Ela pode, entretanto, fortalecer aquele que ora, oferecendo-lhe serenidade, coragem e disposição para enfrentar as dificuldades.
Devo fazer uma prece ou uma oração?
No uso cotidiano, oração e prece são palavras muito próximas e podem ser utilizadas como sinônimas.
Podemos, entretanto, estabelecer uma distinção didática:
Oração pode ser compreendida de maneira mais ampla como um momento de comunicação com Deus, de louvor, agradecimento, reflexão ou meditação.
Prece pode assumir um caráter mais específico de súplica, pedido de auxílio, proteção, orientação ou fortalecimento.
Na prática, as duas podem fazer parte do mesmo momento.
Mais importante do que o nome utilizado são a sinceridade, a intenção e a disposição para o bem.
Deus realmente ouve nossas orações?
A prece sincera é compreendida como uma forma de ligação com o mundo espiritual e de fortalecimento daquele que busca auxílio com confiança.
Mas é importante compreender que ser ouvido não significa necessariamente receber exatamente aquilo que foi pedido.
Uma criança pode pedir aos pais algo que deseja muito, mas que não lhe fará bem. O fato de os pais não atenderem ao pedido não significa que deixaram de ouvi-la.
Da mesma maneira, a resposta divina pode ser diferente daquela que imaginamos.
Na perspectiva apresentada por Allan Kardec, a prece pode contribuir para fortalecer o indivíduo diante das provas da vida e atrair auxílio espiritual, especialmente quando acompanhada de sinceridade e confiança.
Por que Deus não responde às minhas orações?
Talvez a pergunta precise ser reformulada.
Em vez de:
“Por que Deus não respondeu à minha oração?”
Podemos perguntar:
“Será que estou percebendo a resposta?”
Nem sempre aquilo que pedimos pode ser concedido da maneira que desejamos.
Existem situações que fazem parte das experiências que precisamos enfrentar. Outras dependem de nossas próprias escolhas. Algumas estão relacionadas às ações de outras pessoas. E há circunstâncias que simplesmente não podemos controlar.
A oração não deve ser compreendida como uma maneira de obrigar Deus a modificar a realidade de acordo com a nossa vontade.
Ela pode ser compreendida como uma forma de buscar força para enfrentar a realidade, sabedoria para compreendê-la e coragem para transformá-la quando isso estiver ao nosso alcance.
Na perspectiva espírita, a resignação não significa passividade ou conformismo. Significa aceitar aquilo que não pode ser modificado sem abandonar a disposição de fazer aquilo que pode e deve ser feito.
Muitas vezes, a ajuda pode chegar por meios aparentemente comuns: uma pessoa que oferece auxílio, uma ideia que surge no momento certo, uma oportunidade inesperada, uma mudança de circunstância ou simplesmente a força interior para continuar.
Aquilo que parece acaso pode, para uma pessoa de fé, ser percebido como uma resposta que chegou de uma maneira que ela ainda não havia imaginado.
Como fazer uma oração poderosa?
Uma oração poderosa não é necessariamente aquela que utiliza as palavras mais bonitas ou que pede grandes coisas.
É aquela acompanhada de sinceridade e disposição para mudar.
De nada adianta pedir paz enquanto alimentamos a raiva.
Pedir perdão enquanto continuamos praticando os mesmos erros.
Pedir ajuda enquanto nos recusamos a ajudar.
Pedir uma vida melhor enquanto permanecemos presos aos hábitos que produzem sofrimento.
Por isso, talvez a oração mais poderosa seja aquela que transforma o pedido em compromisso:
“Que eu tenha conhecimento para compreender, humildade para reconhecer meus erros, coragem para mudar, perseverança para não desistir e amor para fazer o bem.”
Nesse sentido, a prática das virtudes também pode ser compreendida como uma forma de oração em ação.
A oração aproxima o homem de Deus.
A virtude aproxima o homem do bem.
E quando oração e ação caminham juntas, a fé deixa de ser apenas uma intenção e começa a transformar a vida.
Orar é pedir orientação.
Refletir é buscar compreensão.
Praticar as virtudes é colocar a resposta em ação.
Talvez seja essa a essência da verdadeira prece: Não pedir que Deus faça por nós aquilo que podemos transformar em nós mesmos.
